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sábado, 25 de junho de 2011

Escolhendo o bicho certo

Autor: Patrícia Oguma

Segundo Guilhardi (2006), um aspecto extremamente importante para aprimorar as relações entre o homem e seu animal de estimação é o conhecimento das leis que regem os comportamentos de cada espécie.
A Análise do Comportamento é uma área da Psicologia especialmente habilitada para ensinar como instalar, desenvolver e alterar comportamentos no seu "discípulo". Há uma série de técnicas e procedimentos para manejar comportamentos, tais como modelação, fading, reforçamento positivo, extinção, etc. O domínio de tal área permite ao dono do animal desenvolver ao máximo o potencial do seu "companheiro", tornando-o obediente, participativo e diferenciado. Há algumas informações relevantes que devem ser consideradas antes de escolherem um bicho de estimação, entre elas elencaremos:

Primeiro: Questão de Sensibilidade - ter sensibilidade ao outro (no caso, o "outro" é o animal). Ou seja, as necessidades do animal devem ter importância para mim. O frio que ele sente, a sede, a fome, a dor, a solidão devem ser respeitados e meu conforto, preferências, cansaço, etc, não podem prevalecer indiferentes às carências do outro. Assim, mesmo cansado, por vezes deverá se levantar e preparar a comida do seu animal de estimação.
Se você não for sensível ao outro, não busque um animal de estimação, a sensibilidade é um fator fundamental. Você pode fazer-lhe mal, ele está sempre em desvantagem, pois está fora do seu ambiente natural, indefeso, desprotegido, uma vez que os dotes da natureza, em nossas casas, não funcionam em sintonia com oprocesso de seleção natural. Não é justo, e nem humano, tirá-lo do contexto que lhe é próprio e abandoná-lo à própria sorte. E, finalmente, tudo o que fizer pelo seu animal deve ser feito com afeto: vibrar com as realizações e satisfações dele; sofrer com as dores dele. Desta forma, a sua relação com seu animal é gratificante para ambos. Você deve se realizar com seu leal companheiro e não tê-lo como um estorvo, dando-lhe de comer por obrigação.
Segundo: Mitos e Verdades - O mito mais freqüente está relacionado, com os sentimentos do animal em relação ao seu dono. Num extremo, as pessoas pensam que seu "amiguinho" tem sentimentos como ela; no outro, afirmam que é um "bicho" e não sente. A verdade é que a interação entre o animal e seu dono é intensa e desenvolvem-se discriminações muito sutis entre ambos. Tanto um, como o outro captam mudanças mínimas de comportamento; nas rotinas, nos encadeamentos de respostas. Desta maneira, há uma comunicação não verbal elaborada e que simula troca de afeto. Não se pode afirmar que os animais apresentam os afetos humanos; mas nós podemos ter pelos animais afetos humanos. Tal constatação basta. Essencialmente, a manutenção de boas rotinas mantém comportamentos e emoções intactos e saudáveis. Interações estressantes produzem vulnerabilidades, no mínimo, afetivas (tristeza, ansiedade, preocupação etc). Como e quanto os sentimentos afetam o funcionamento do organismo não resta dúvidas.
Terceiro: Perfil do Dono - A pessoa deve ser afetiva; ter disponibilidade mínima de tempo para cuidar rotineiramente do seu animal; ser capaz de quebrar rotinas para situações de urgências (ferimentos, atropelamentos, dores agudas, etc.); ter curiosidade para ler, investigar, saber mais sobre hábitos, rotinas, alimentação, etc, do animal; compartilhar seu espaço físico e, eventualmente, sua rotina com o animal; ter habilidades para envolver as demais pessoas da família nos cuidados dispensados ao "parceiro". A relação entre odono e seu bicho deveria ter características semelhantes às dos humanos entre si, porém num nível menos intenso.
Guilhardi (2006) ressalta alguns perfis de pessoas que se enquadram a determinados animais:
- "Pessoas que trabalham fora: Pessoas que trabalham fora deveriam colaborar, curtir, conviver o possível com animais de pessoas próximas. Não é indicado deixar os animais muito tempo a sós. Os animais solitários podem satisfazer necessidades de solidão e de expressão de afetos dos humanos, mas eles próprios pouco recebem em troca. Como conseqüência, manifestam carências através de comportamentos anômalos. Peixes talvez possam ser uma opção para pessoas que ficam muito ausentes de casa.
- Para famílias que possuem crianças: Para crianças, animais que expressam afetos (neste sentido, os cachorros são imbatíveis) e que interajam abertamente, porém sem brutalidade (mesmo que não seja intencional, um movimento brusco e intenso machuca, apesar da alegria e boa vontade do animal). As crianças, ao se relacionarem com os animais, aprendem a expressar e receber afeto.
Devem ser estimuladas a cuidar deles, a notar dificuldades e proezas de seus "inseparáveis amigos". O animal é um excelente professor de afetividade, de auto-estima, de responsabilidade, de disciplina, e é fundamental para o desenvolvimento de repertório social.
- Para Idosos: Para os idosos, recomenda-se "companheiros" com as mesmas características apontadas para as crianças, mas principalmente aqueles que estimulem os idosos a emitirem comportamentos, tais como sair de casa; fazer exercícios físicos moderados, mas sistemáticos; que estimulem a interação social e os façam sentir-se úteis.
- Desde bebês até pré-adolescentes: Animais mais indicados são aqueles de boa índole, mansos, tranqüilos. Para crianças, conforme citado anteriormente, aqueles que interajam mais freqüentemente e que demonstrem afeto. Acredito que o melhor animal para uma criança é aquele que os pais mais adoram. Sendo amado, o "amigo" será mais bem tratado, o que dará para a criança e/ou pré-adolescentes importantes modelos de interação com animais e, através de generalização, bons modelos de interação com outras pessoas, assim a criança cresce sabendo se socializar. Além disso, qualquer animal bem cuidado será mais dócil, mais afetivo, mais acolhedor. Há necessidade de bom senso na escolhado animal de estimação. Por exemplo, o que fazer se a criança adora cachorros, mas o pai gosta de passarinhos? Neste caso, que ambos fiquem felizes: cachorro para o filho, passarinho para o pai e paciência para a mãe.
- Solitários e Depressivos: Os animais devem ser escolhidos, não impostos. Devem ser bem tratados, pois assim são mais gratificantes e dão menos trabalho; devem ser incluídos na rotina da pessoa, dentro de limites (é muito agradável ter seu animal de estimação por perto, tranqüilo, enquanto você lê ou assiste à televisão, por exemplo); a pessoa deve ser bem informada sobre as características e hábitos do animal, pois assim pode tratá-lo de forma mais adequada. Os animais são excelentes companheiros e sua dependência gera sentimentosde eficiência e utilidade; suas iniciativas despertam sentimentos de prazer e orgulho (às vezes, de zanga passageira, quando são travessos). Os animais têm função de prevenção de sentimentos de solidão e de depressão. Os benefícios da companhia do animal de estimação advêm da convivência construída passo a passo, não da intromissão arbitrária. Uma pessoa deprimida pode se sentir incomodada com a presença de um animal; alguém ansioso pode se irritar ainda mais com a presença do animal. O animal inesperado pode ser indesejável e isso traz perdas para o dono e para o próprio animal". (s/p)
Enfim, conforme nos afirma Guilhardi (2006) "são muitos e importantes benefícios" (s/p). Há troca de afetos; a pessoa sente-se amada e útil; desenvolve responsabilidade e disciplina para cuidar da rotina e das necessidades do animal; os "amigões" propiciam interações sociais entre as pessoas que conversam sobre seus bichinhos; estimulam atividades físicas, passeios; no dono melhora sua auto-estima; desenvolve tolerância à frustração, entre muitos outros.
Segundo Grimaldi (s/d), advogada especializada em direitos dos animais, conciliadora do Juizado Especial - JEPEC - do Fórum de Pinheiros (SP/SP), o que todas pessoas deveriam saber, em sua sã consciência, antes, durante e depois de adquirirem um animal de estimação:
"1º - Bicho não é brinquedo, é vida: Portanto, sente, ama e sofre cansaço, dor, calor, frio, fome, sede. Na legislação animais de estimação são considerados, bens móveis, duráveis, são semoventes (capazes de se moverem). Quando adquiro um animal eu tenho o direito de sua propriedade, porém tenho
também o dever de mantê-lo com dignidade. Ou seja, um animal requer cuidados básicos como, local apropriado que seja abrigado de umidade, frio ou calor intenso, alimentação adequada, exercícios físicos, acompanhamento médico veterinário (vacinações e vermifugações).
- Meu direito termina quando começa o direito de meu semelhante: É perfeitamente viável possuir um animal de estimação em um apartamento, porém como vivemos em sociedade devemos seguir regras.
O artigo 554 do Código Civil Brasileiro estabelece o mau uso de propriedade, ou seja, posso ter meu animal desde que respeite os horários de sossego, não suje as áreas pertinentes do condomínio e nem coloque em risco a segurança alheia.
Respeitando essas normas estou resguardado no artigo 5º da Constituição Federal, no direito de propriedade. Eu tenho o direito de passear com meu cão em vias públicas, e meu vizinho tem o direito de não ter de pisar nos dejetos oriundos de meu cão.
- A compra e venda de animais de estimação está resguardada no Código de Defesa do Consumidor, quando adquirimos um animal com pedigree, além do Direito da Genealogia ficamos protegidos quanto a determinados defeitos congênitos que impossibilitem o animal à finalidade para a qual foi adquirido. Por exemplo se adquirimos um cão para a finalidade de exposição e reprodução faltas como prognatismo ou criptorquidismo são cabíveis de reparação. Doenças infecto contagiosas também cabem na garantia. O responsável por fraudes de registro responde nas esferas cíveis e criminais.
- Tu és responsável por tudo aquilo que cativas: O único animal que mata por prazer, vingança ou motivo torpe é o homem. Somos responsáveis nas esferas cíveis e criminais por todo dano que causarmos a nosso semelhante.
Um cão empresta os olhos quando é guia e dá sua vida quando é guarda.
Não compara-se cães a armas, mas sim a instrumentos, eles podem salvar ou matar como nossas mãos ou um veículo, mas tudo vai depender de quem está por detrás, quem comanda o veículo. Ao adquirirmos um cão devemos ter em mente, muros altos e portões que impeçam evasões, placas advertindo perigo, e sociabilização com pessoas e outros animais para evitarmos eventuais fatalidades. O difícil não é ter, mas manter.
- Quanto vale um amigo? Tenha em mente que animais, como pessoas, envelhecem, o encanto de filhote um dia acaba. Se você não tem o intuito de criar e adquiriu uma fêmea, para evitar crias indesejáveis, castre-a, abandonar os filhotes a própria sorte é desumano e cruel, além de ser crime. Cães velhos já foram um dia, encantadores e úteis, lembre-se disso, sacrificar seu cão só porque ele envelheceu é uma sentença digna de um algoz, abandoná-lo é até pior, ele pode sofrer dias até o descanso final. Para você, quanto vale um amigo? Um cão só não é humano, mas é um grande amigo, talvez o único que lhe seja sincero. Pense nisso antes de brincar de juiz ou pior, de Deus. Lembre-se você pode deixar de responder às leis dos homens, mas a vida cobra, você semeia e depois colhe, é certo que um dia você há de envelhecer e asilos por mais agradáveis que sejam, não são lares.
- Tenha sempre em mente: Só existem duas coisas que o dinheiro é incapaz de comprar: o sorriso espontâneo e o abanar da cauda de um cão. Você pode até comprar o cão, mas suborná-lo, jamais". (s/p)
Referências Bibliográficas
ALENCAR, T.S. Amigo animal: O que leva pessoas a escolherem animais de estimação? (Entrevista com Dr. Hélio José Guilhardi). Rede Psi, São Paulo, 6 Set. 2006. Disponível em: . Acesso em: 29 mai 2007.
GRIMALDI, M. Ao escolher um bicho de estimação. Disponível em: <http://www.projetocao.com.br/projeto.direito.html>. Acesso em: 12 maio 2007.
http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/escolhendo-o-bicho-certo-3275231.html
Perfil do Autor
Patrícia Oguma - Psicóloga - 06/95318

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