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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Rua não é lugar para gato!

Definitivamente rua não é lugar para gato. Lá eles podem encontrar muitas doenças e confusões, que não encontrariam no aconchego do lar.
E por que um gato sai de casa? Por vários motivos, mas os principais são: gatos saem para namorar, para fiscalizar seu território, para caçar (passarinhos, ratos, lagartixas, baratas e outros bichinhos nojentos) e para fazer suas necessidades no quintal do vizinho. Aliás, diga-se de passagem, parece que eles não gostam dos vizinhos e nem os vizinhos deles.
Mesmo em inocentes voltinhas pelos telhados da vizinhança, podem ficar expostos a varias doenças. O contato com outros gatos, nem sempre muito limpos, saudáveis e bem-cuidados, ou locais contaminados, pode possibilitar a transmissão de viroses, infecções bacterianas e protozoários.
As principais doenças e parasitas que um gato pode contrair nos seus passeios independentes são as seguintes:


Rinotraqueíte: Doença causada por um vírus. Acomete principalmente o sistema respiratório. Conhecida como a gripe dos gatos. O bichano fica com os olhos e nariz cheios de secreção. Muito grave nos filhotes. Mesmo após o tratamento, a doença pode acompanhar o animal por toda a vida, se manifestando como resfriados freqüentes, a cada queda de resistência.


Clamidiose: Bactéria que causa uma conjuntivite nos gatos. Pode estar associada a rinotraqueíte.

Panleucopenia: virose do trato intestinal, ocasiona diarréia e vômitos.

Toxoplasmose: um protozoário, que mora no intestino do gato. É uma zoonose, ou seja, pode passar dos animais as pessoas e vice-versa. Especialmente grave se contaminar uma mulher no início da gestação. O contato se dá através das fezes dos gatos contaminados.

Verminoses: dos vários tipos de vermes que um gato pode pegar, o dipilidium é um dos mais freqüentes. Parece um grão de arroz, achatadinho e que se movimenta. É transmitido pela pulga. Por isso, sempre que tratar verminoses nos gatos, é bom aplicar também um anti-pulgas, conforme orientação de seu veterinário.

Hemobartonela: outro protozoário, também transmitido pela pulga, só que este, parasita o sangue, especificamente as hemácias, causando anemia.

Sarnas: ácaro que coloniza os folículos pilosos, principalmente nas orelhas e face. Existe também a sarna de ouvido, que forma aquela sujeirinha preta, dentro do conduto auditivo. Como você sabe, as sarnas fazem os animais se coçarem a tempo todo.


Pulgas: dispensam apresentação.


Além de tudo isso, ainda estão sujeitos a P.I.F. (Peritonite Infecciosa Felina), Leucemia e até mesmo AIDS Felina. Isso mesmo, AIDS Felina, mas que não tem relação nenhuma com a AIDS humana.
Agora vem a parte boa. A prevenção de tudo isso é muito fácil. Para quase todas as viroses, existem vacinas. Mantenha-as em dia, conforme orientação do seu veterinário. Vermífugos e antipulgas devem ser periódicos, e mantenha seu amigo peludo dentro de casa ou no seu quintal.
Para mantê-lo em casa, o primeiro passo é castrá-lo. Assim você diminui bastante o desejo de dar uma escapadinha para namorar. Mantenha sempre uma bandeja, com areia higiênica, para seu gato usar como banheiro. Troque a areia toda vez que ela estiver suja, se não ele procura outro lugar para suas necessidades e seu vizinho pode não gostar. Gatos não apreciam que suas tigelas de ração e água fiquem perto de seus banheiros, e estão certos nisso.
Uma última dica: quanto aos gatos caçadores e territorialistas, o conselho é castrar o mais jovem possível, antes que peguem o gosto de sair à rua.



Wilson Grassi
Médico Veterinário
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Publicado na revista Pulo do Gato n. 44 (março de 2008)
Republicado em: site A Vida Animal (17/06/08)
Jornal Fato Paulista n. 104 (04/06/09)
















http://geekcats.com/

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